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quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Do ônibus um palco




(imagem da web)
Voltando pra casa, por volta das 7h da noite, numa enfadonha lata de sardinha, daquelas que chacoalha tanto, que é capaz ainda do almoço voltar a goela, vi uma cena que me fez refletir. As dificuldades de sobrevivência na vida e do que o homem é capaz para encontrar soluções e alternativas diante do desemprego.

Acredito que a expressão ‘se virar nos trinta’ é a mais praticada diante da pressão e limite, quando você está num beco que às vezes parece não ter saída. Mas, pra isso tem que ter criatividade e foi isso que eu vi nesta terça-feira a noite no ‘Grande Ônibus Lotado’!

Ouço uma voz no fundo ... ‘Quem não aceitar o pirulito é porque tem rubéola, ou apanha do marido, ou é feia sem ter solução’, em seguida risadas. Foi um jeito diferente de se apresentar e até mesmo de conseguir tocar aquele ser humano sofrido na lata de sardinha. Quem tem humor numa hora destas? Num calor e secura como Brasília, num aperto depois de um dia de problemas. É difícil ter humor nestas horas. Mas, o palhaço conseguiu tirar sorrisos, mesmo aqueles um pouco amarelos.

Passando com um saquinho, depois de ter contado as piadas e distribuir os pirulitos de corações vermelhos, ele fez valer o ditado que diz, de grão em grão a galinha enche o papo. Ele não cobrava o pirulito, as moedas que ganhara, foi simplesmente pela criatividade e humor, afinal ele provocou um sorriso num momento que, pelo menos pra mim, não era agradável.

Enfim, a criatividade é um diferencial e o palhaço mostrou isso. Fez do ônibus um palco e mostrou seu talento ou ideia que deu certo diante do desespero. Sem desmerecer o apelo daqueles que chegam com lamentações, histórias de doenças, drogas e que precisam criar seus filhos, o palhaço neste dia usou uma ferramenta que encheu mais o saquinho. Fazer o trabalhador sorrir na volta pra casa dentro de um ônibus abarrotado.

Por Patrícia Costa

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