![]() |
| (imagem da web) |
Voltando pra casa, por volta das 7h da noite, numa enfadonha
lata de sardinha, daquelas que chacoalha tanto, que é capaz ainda do almoço
voltar a goela, vi uma cena que me fez refletir. As dificuldades de
sobrevivência na vida e do que o homem é capaz para encontrar soluções e
alternativas diante do desemprego.
Acredito que a expressão ‘se virar nos trinta’ é a mais
praticada diante da pressão e limite, quando você está num beco que às vezes
parece não ter saída. Mas, pra isso tem que ter criatividade e foi isso que eu
vi nesta terça-feira a noite no ‘Grande Ônibus Lotado’!
Ouço uma voz no fundo ... ‘Quem não aceitar o pirulito é
porque tem rubéola, ou apanha do marido, ou é feia sem ter solução’, em seguida
risadas. Foi um jeito diferente de se apresentar e até mesmo de conseguir tocar
aquele ser humano sofrido na lata de sardinha. Quem tem humor numa hora destas?
Num calor e secura como Brasília, num aperto depois de um dia de problemas. É difícil
ter humor nestas horas. Mas, o palhaço conseguiu tirar sorrisos, mesmo aqueles
um pouco amarelos.
Passando com um saquinho, depois de ter contado as piadas e
distribuir os pirulitos de corações vermelhos, ele fez valer o ditado que diz,
de grão em grão a galinha enche o papo. Ele não cobrava o pirulito, as moedas
que ganhara, foi simplesmente pela criatividade e humor, afinal ele provocou um
sorriso num momento que, pelo menos pra mim, não era agradável.
Enfim, a criatividade é um diferencial e o palhaço mostrou
isso. Fez do ônibus um palco e mostrou seu talento ou ideia que deu certo diante
do desespero. Sem desmerecer o apelo daqueles que chegam com lamentações,
histórias de doenças, drogas e que precisam criar seus filhos, o palhaço neste
dia usou uma ferramenta que encheu mais o saquinho. Fazer o trabalhador sorrir
na volta pra casa dentro de um ônibus abarrotado.
Por Patrícia Costa

Nenhum comentário:
Postar um comentário